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sábado, 9 de junho de 2012

A Guarda Varegue

A guarda varegue era um grupo de guerreiros vikings encarregados de fazer a guarda pessoal do imperador de Bizâncio




Representação de um Guarda Varegue. (1000-1050).
 

Com seus longos machados e fidelidade total ao monarca de Bizâncio, esta tropa de elite foi a melhor expressão do uso de mercenários pelo império do Oriente.

Criação da Guarda


Em 988, Basílio II pediu assistência militar de Vladimir I de Kiev para ajudar a defender o seu trono. Em conformidade com o tratado feito por seu pai após o Cerco de Dorostolon (971), Vladimir enviou 6.000 homens para Basílio II. Em troca, a Vladimir foi dada em casamento a irmã de Basílio, Anna. Vladimir também concordou em se converter ao cristianismo e trazer o seu povo a fé cristã.






Soldados na prisão de Cristo, representados como
Guardas Varegues em trajes cerimoniais.
 

Basílio II, com grande desconfiança de seus guardas bizantinos, cuja lealdade, muitas vezes resultava em consequências mortais, bem como a fidelidade comprovada do Varegues, levou-o a utilizá-los como sua guarda pessoal. Essa nova força se tornou conhecida como a Guarda Varegue. Em 989 estes Varegues, liderados pelo próprio Basílio II, desembarcaram em Crisópolis para derrotar o general rebelde Bardas Phokas. Phokas morreu no campo de batalha. Após a morte de seu líder, as tropas de Phokas fugiram. A brutalidade dos Varegues foi observada quando perseguiam o exército em fuga "alegremente cortado em pedaços."

Estes homens formaram o núcleo da Guarda Varegue. Lutaram no sul da Itália, no século XI, contra normandos e lombardos que trabalhavam para extinguir autoridade bizantina lá. Em 1018, foram enviados por Basílio II para a Itália para reforçar as tropas de Basil Boioannes, que enfrentava uma revolta Lombarda em Bari. Um destacamento foi enviado e na Batalha de Canas, os Bizantinos conseguiram uma vitória decisiva.





O centurião na Crucificação de
Cristo, apresentado como um
oficial da Guarda Varegue.
 

Os Varegues também participaram da reconquista parcial da Sicília em 1038. Um proeminente membro da Guarda neste momento foi Harald Hardrada, mais tarde rei da Noruega. Harald Hardrada, o último grande rei viking, serviu durante dez anos nesta guarda antes de assumir a coroa e invadir a Inglaterra em 1066.

Em 16 de março de 1041 uma força Varegue estacionada em Bari foi chamada para lutar contra os normandos perto Venosa e muitos se afogaram no recuo posterior em todo o Ofanto. Em setembro, Exaugustus Boioannes foi enviado para a Itália com apenas um pequeno contingente Varegue para enfrentar os normandos. Em 03 setembro de 1041 eles foram derrotados em batalha pelos normandos.


Na desastrosa batalha de Manzikert em 1071, praticamente todos os guardas do imperador cairam em torno dele.


Referências


Fontes gregas, por vezes, referem-se a Guarda como "bárbaros de machado", ou aqueles que "balançam suas espadas de seu ombro direito". (Ibid., p.180)





A Guarda Varegue; Iluminação da crônica de John Skylitzes do século 11.
 

Em uma iluminação da crônica do século 11 de John Skylitzes, soldados com machado representam a Guarda Varegue.

A Guarda Varegue só foi usada em batalha durante momentos críticos, ou onde a batalha foi mais feroz. Cronistas da época bizantina notam com uma mistura de terror e fascínio que o "escandinavos eram assustadoras, tanto na aparência como nos equipamentos, eles atacavam com raiva imprudente e nem se preocupavam com a perda de sangue, nem com as suas feridas ".


John Marsden disse: "Provavelmente, o aspecto mais extraordinário da Guarda Varegue é o fato da proteção pessoal do Basileus, que foi realizada a ser o único legítimo soberano do mundo cristão" e representado como "a contraparte terrestre e vice-regente do Cristo Pantokrator ', os homens das remotas terras do Norte cujas duas características mais conhecidas eram seus poderosos machados de guerra e seu apetite notório para o álcool." (John Marsden, "Harald Hardrada:" A Warrior's Way, Sutton, 2007)


Novos membros


Ao longo dos anos, novos recrutas da Suécia, Dinamarca e Noruega mantinham um elenco predominantemente escandinavo para a organização até o final do século 11. Depois a guarda começou a ver a maior inclusão dos anglo-saxões, após a invasão bem-sucedida da Inglaterra pelos normandos. Em 1088 um grande número de anglo-saxões e dinamarqueses emigraram para o Império Bizantino por meio do Mediterrâneo.


Eles foram destaque na defesa de Constantinopla durante a Quarta Cruzada.


Algumas menções de um remanescente da Guarda Varegue podem ser encontradas nos registros históricos até tão tarde quanto 1453, mas não era mais a força de combate de poderosos guerreiros vikings de antes.

Fatos e lendas sobre os Berserkers


Os Vikings foram os mais famosos guerreiros da Idade Média. Famosos por suas empreitadas pelo mar, seja atacando vilas e mosteiros pela Europa ou navegando para fins pacíficos de comércio ou colonização em outras partes do mundo. No tocante à guerra, além de seu conhecido navio (popularmente chamado de drakkar, dragão), uma arma tecnológica que lhes concedeu vantagem sobre os outros povos, os especialistas acreditam que eles tiveram outro importante elemento que explicaria seu imenso sucesso nas batalhas. Trata-se dos guerreiros de elite conhecidos pela designação de berserker.
Existem duas explicação atuais para este nome. A mais coerente diz que seria “camisa de urso” (do nórdico bear), e a outra “sem camisa” (do nórdico bare). Seja como for, talvez as duas possam ter coerência mútua. A ligação com o urso provém do simbolismo e da importância deste animal para as tribos de origem germânica, desde a antiguidade. E a segunda explicação, sem camisa, refere-se ao fato dos berserkers não usarem nenhuma proteção nas batalhas, como veremos a seguir.
A principal característica dos berserkers seria sua fúria incontrolável e assassina. Muito antes dos Vikings, um cronista latino chamado Tácito já se referia a guerreiros entre os germanos que possuíam estas características, que aliás, eram muito louvadas por sociedades que dependiam totalmente da guerra para sobreviver.
Desde o século 18 os estudiosos tentam explicar esse comportamento frenético dos berserkers (chamado de berserkergang). Uma das mais populares, principalmente após os anos 1960, era a de que utilizavam alucinógenos (o cogumelo Fly acaris, por exemplo, comum entre os xamãs da Lapônia) ou bebidas alcoólicas. Testes químicos e experimentos com voluntários reproduzindo situações de batalha concluíram que os efeitos colaterais derivados da ingestão destes produtos (náuseas, vômitos, tonturas), em vez de ajudar, acabaram prejudicando as ações humanas. Atualmente, portanto, são teorias descartadas.
Mas afinal, o que ocasionava o furor destes soldados medievais? As respostas vieram principalmente de duas explicações, relacionadas entre si. A primeira é relacionada ao culto do antigo deus Odin (ver Box). Segundo o cronista islandês Snorri Sturluson, os berserkers eram devotados fiéis à esta divindade. Seria, portanto, a sua fé em um deus xamânico, que privilegia a magia, o êxtase e a metamorfose humana em animais, que explicaria esse comportamento: “os homens de Odin avançam para as frentes sem armaduras, onde tão loucos como cachorros ou lobos, mordem seus escudos, e são tão fortes quanto ursos ou bois selvagens e matam pessoas com um golpe, mas nem o ferro nem o fogo os detém”, na famosa descrição de Snorri da Saga dos Ynglingos (escrita no século 13 d.C.). Escolhendo como totem pessoal o urso ou lobo (no caso dos guerreiros chamados de Úlfhedinn), estes guerreiros cultuariam a Odin através de danças e rituais portando máscaras animais e armamentos. Várias placas-amuletos encontradas na Escandinávia mostram cenas de homens vestindo peles (inclusive cabeças de lobo) e dançando numa espécie de êxtase. Outra fonte, escrita pelo imperador bizantino Constantino II (Livro das cerimônias), descreve uma “dança gótica” de soldados com peles e máscaras animais, realizada por membros da guarda varangiana. Esta tropa consistia de mercenários suecos que prestavam serviço em Constantinopla (Bizâncio).
A teoria da possessão espiritual também encontra eco em outras fontes literárias da Escandinávia. Na Saga dos Volsungos, de caráter lendário, o pai do famoso herói Sigurd (o Siegfried alemão), Sigmund e seu outro filho Sinflioti, em dado momento da narrativa agem como lobos, habitando uma floresta e até assassinando pessoas. Isso parece coincidir com o comportamento do guerreiro Bovdar Bjarki (descrito na Saga de Hrolf), que trabalhava para o rei Kraki da Dinamarca. Quando ele saia para o campo de batalha, transformava-se em um imenso urso, enquanto sua forma humana ficava em casa e parecia dormir. Isso está relacionado ao hamr (alma, forma) e a fylgja (forma espiritual que acompanha cada humano). Na religiosidade Viking, a hamr de um ser humano poderia se transformar em um animal e também estava relacionada à crença nos lobisomens (hamrammr, homens que viram lobos).
A segunda explicação para o frenesi dos berserkers e em consequência, no seu sucesso perante as batalhas, advém de causas puramente psicológicas. O pesquisador Peter Woodward, no programa Conquista da BBC, testou essa teoria. Em primeiro lugar, o tipo de equipamento mais usado por estes guerreiros era o machado, uma arma somente de ataque e sem defesa operacional, como a espada. Um soldado na frente de batalha, sem nenhum tipo de proteção (armadura ou escudo), gritando, urrando, dançando e atirando o próprio corpo contra os inimigos sem nenhum medo, causa um efeito psicológico devastador: é a agressão em estado puro, terrivelmente assustadora. Esse estilo suicida extremista fez os berserkers entrarem para a história da guerra.
Até agora só examinamos estes guerreiros no campo de batalha. Mas e na sociedade Viking? Qual o seu papel? Por um lado, eles eram admirados e muito requisitados. Faziam parte da guarda real de muitos reinos da Escandinávia e até de tropas de elite no exterior, como foi o caso de Bizâncio, como já comentamos ou na atual Rússia. Todas as expedições de pirataria ou em exércitos com formações maiores, contavam com grupos de berserkers, prontos para a ação. Para o referencial da elite aristocrática, eles eram muito valorosos e necessários, atingindo um status privilegiado na sociedade. Mas para o camponês, o pequeno proprietário ou fazendeiro do tempo da Escandinávia Viking, eles representavam coisas muito ruins. Loucos, agressivos, perigosos, com excessos sexuais, enfim, vários elementos presentes nas Sagas mostram esse outro lado que encontravam na sociedade. Por serem psicologicamente instáveis, muitas vezes eram de poucas amizades, em outras ocasiões eram banidos das pequenas comunidades (especialmente depois de assassinatos). Um caso exemplar é o relatado na Saga de Egil Skallagrímsson (ver Box, Vikings famosos). Vindo de uma família de berserkers (o pai: Skallagrím, careca feia, e o avô, Kveldi-Úlf, lobo do entardecer), Egil acabou tendo uma vida muito violenta. Em certa ocasião, já em sua casa e sem nenhum motivo aparente, foi tomado por um frenesi descontrolado, matando a criada após atacar o filho. Percebemos, então, que os berserkers ficavam possessos não somente em batalhas, sendo temidos também pelos próprios Vikings.
Estes intrépidos guerreiros deixaram seu legado para a história, sendo hoje um nome associado ao furor no inglês moderno (berserk) e integrante de romances, jogos de vídeo game, quadrinhos e desenhos japoneses, além de várias produções cinematográficas. Alguns destes filmes são a comédia Erik, o Viking, onde o ator Tim McInnemy interpreta o humorado e alucinado Sven, ou a produção Berserker, ainda inédita no Brasil. Os Vikings certamente ainda irão proporcionar muitos momentos de inspiração para a arte e o imaginário.

O culto a Odin


Odin foi a principal divindade dos guerreiros e aristocratas, sendo um deus da poesia, da morte, das batalhas e da magia. Perdeu um dos olhos para obter mais conhecimento mágico. Andava sempre com dois lobos e dois corvos ao seu lado, além de sua lança Gungnir. Um dos rituais para Odin envolvia periodicamente a imolação de prisioneiros de guerra, geralmente enforcados (em referência a seu auto-sacrifício na árvore Yggdrasill) ou espetados com lanças. O principal local de seu culto parece ter sido a ilha de Gotland, no báltico sueco, com centenas de estelas funerárias representando símbolos e imagens relacionados ao Valhala, além de esculturas reproduzindo Odin em seu cavalo Sleipnir. O seu nome também estava associado ao furor no nórdico (Ódr) quanto no germânico antigo (Wodan) e somado ao fato da crença de que os melhores que morressem em batalha iriam servir a Odin em seu palácio (Valhalla), explica tanto a devoção quanto o frenesi nas guerras.


Técnicas de guerra entre os Vikings


As táticas militares utilizadas normalmente em unidades pequenas (a exemplo do “partindo como um Viking”, os ataques surpresas pelo mar), previam o uso da oportunidade e detalhado conhecimento sobre o inimigo. Uma empreitada bem sucedida requeria boa inteligência, segurança e coragem. A estratégia da guerrilha, desta maneira, foi utilizada com eficiência pelos Vikings em situações que envolviam poucas pessoas. Segundo o historiador Paddy Griffith, as chaves do sucesso para operações nórdicas teriam sido: operações com escassos feridos no ataque, mobilidade e rapidez na sua execução e armamento.


Vikings famosos


Um dos mais famosos foi Egil Skallagrímsson, que encarnou todos os protótipos e contradições de um nórdico: poeta, pirata, fazendeiro, mercador, guerreiro e mercenário. Com a idade de 6 anos matou um garoto vizinho com o machado de seu pai, seu primeiro assassinato de uma longa série. Tornou-se um famoso aventureiro e pirata a serviço do rei Athelstan da Inglaterra. Para o rei Erik de York, compôs o poema Hofuðslaun. Envelhecendo, tornou-se fazendeiro na Islândia. Outro nórdico muito famoso foi Harald Hardrada (1015-1066), considerado por muitos o último grande chefe Viking. Após fracassar em tentar a sucessão ao trono da Noruega, serviu como mercenário de sucesso em Bizâncio. Adquirindo grande reputação como guerreiro e acumulando muitas riquezas, voltou para a Suécia e depois para a Noruega, adquirindo poder político e autoridade. Em 1066 tentou invadir a Inglaterra, morrendo na célebre batalha da ponte de Stamford.

A fúria Viking

Eles chegaram à América antes de Colombo, deixaram profundas marcas na Europa e criaram longas rotas de comércio. Mas isso ofuscado pela lendéria violência de seus ataques.




No fim do século 8, a ilha de Lindisfarne, na costa nordeste da Inglaterra, abrigava agricultores, pastores e religiosos. Era um local sagrado, onde Santo Aidan havia vivido 100 anos antes. Todos os tesouros do povoado se resumiam a um punhado de objetos de culto, como cálices e hostiários feitos de metais preciosos, que ficavam guardados num mosteiro. Como a maioria da Europa era cristã, os moradores de Lindisfarne podiam até temer uma invasão, mas tinham certeza de que suas relíquias religiosas jamais seriam tocadas. Toda essa confiança ruiu em 8 de junho de 793. Foi quando uma horda de homens desembarcou na ilha, vinda das gélidas terras do norte. Com ferocidade e rapidez, eles saquearam o mosteiro e mataram os monges que cuidavam dele.


A invasão de Lindisfarne foi só o começo. Ela marcou o início da Era dos Vikings. Entre o fim do século 8 e a metade do século 11, boa parte da Europa seria aterrorizada pelos guerreiros escandinavos. Primeiro na costa britânica, depois no resto do continente, os europeus descobriram que nada era páreo para os vikings. Nem crenças celestes nem tampouco regras terrenas. Não foi à toa que seu nome se originou do termo nórdico vik, que se refere a alguém que espreita em uma baía – em outras palavras, um pirata. Pagãos, os vikings não diferenciavam camponeses de monges ou tesouros de relíquias cristãs. Para eles era tudo igual, o que chocou os cronistas europeus da época, que descreviam os vikings como “bárbaros” sem piedade.


Na verdade, o campo de batalha era uma espécie de paraíso para os nórdicos. O céu de sua religião, Valhala, nada mais era que uma eterna guerra. Eles acreditavam que, nessa espécie de Olimpo, os vencedores de cada dia eram convidados a comemorar com Odin – um de seus principais deuses – o sucesso obtido em mais uma luta.


Em suas incursões, além de saquear, os vikings faziam escravos. Mas os escandinavos também praticaram pacificamente o comércio e estabeleceram colônias em locais como França, Alemanha, Países Baixos e Rússia. “Os vikings não eram apenas senhores da guerra”, afirma a arqueóloga dinamarquesa Else Roesdahl no livro The Vikings (sem edição no Brasil). “Eles também eram exploradores que colonizaram terras até então desabitadas do Atlântico Norte – Ilhas Faroe, Islândia e Groenlândia –, e foram os primeiros europeus a chegar à América.” Apesar de os vikings terem superado o navegador Cristóvão Colombo em cinco séculos, a fama de implacáveis permanece sendo sua imagem mais forte.


Invasões bárbaras


Em vastas terras que hoje pertencem a Suécia, Dinamarca e Noruega, os vikings viviam da agricultura, da pesca e do comércio (de peles, madeira, trigo, peixes, metais e, eventualmente, de escravos). A sobrevivência era bastante complexa, porque os recursos eram escassos – e o frio, de doer. Ao contrário do que ocorreu em boa parte da Europa, os vikings nunca sofreram uma invasão romana e, por causa disso, eram bem diferentes dos outros povos do continente. Eles compartilhavam a mesma cultura, mas não formavam uma sociedade unificada. Boa parte deles vivia dividida em comunidades menores, cada uma comandada por um líder guerreiro. A falta de divisões políticas muito organizadas se refletiu nas invasões vikings da Europa: em vez de grandes exércitos obedecendo a um rei, muitas vezes as pilhagens eram feitas por pequenos grupos de homens (que depois dividiam o espólio entre si).


Navegando para longe de sua terra natal, os nórdicos se estabeleceram mais ao sul. Cidades como York, na Grã-Bretanha, e Dublin, na Irlanda, tiveram assentamentos vikings. Eles desembarcaram nessas regiões no século 9, aproveitando o clima mais ameno. O contato com as comunidades locais não era necessariamente violento. Afinal de contas, muitos vikings aceitavam se converter ao cristianismo. “Devemos lembrar que o nacionalismo extremo é um fenômeno histórico recente. Naquela época, a Inglaterra estava dividida em pequenos reinos (...) e os dinamarqueses eram rapidamente aceitos”, afirma o historiador sueco Holger Arbman no clássico The Vikings (inédito no Brasil).


Na Europa continental, os vikings fizeram por merecer sua fama de guerreiros implacáveis. Aproveitando a versatilidade de seus barcos, eles navegaram pelo rio Sena até chegar a Paris. Por duas vezes, em 845 e 860, chegaram, pilharam sem enfrentar grande resistência e, quando ficaram satisfeitos, foram embora. Em novembro de 885, eles voltaram. Mas encontraram uma cidade bem mais protegida. Guaritas haviam sido construídas, assim como pontes móveis de madeira, usadas para impedir a entrada de navios inimigos. Teve início, então, uma especialidade viking: o cerco. Eles costumavam cercar as cidades para sufocá-las e, normalmente, exigiam pagamentos para se retirar.


Os parisienses resistiram por quase um ano ao assédio de um dos maiores esforços vikings de guerra: 30 mil homens, que chegaram em 700 embarcações. Foram salvos pela chegada do exército do Sacro Império Romano. Quando o embate acabou, os vikings envolvidos nele se dispersaram. Um dos líderes nórdicos, Rollo, resolveu permanecer na região. Ganhou uma fatia de território na Normandia para se estabelecer e, em troca, deveria proteger os francos de novos ataques de seus compatriotas. Rollo mudou o nome para Robert e se converteu ao cristianismo – dando origem a uma linhagem que, mais tarde, conquistaria parte da Inglaterra.


Os ataques à França, às ilhas britânicas e à Espanha eram realizados pelos vikings que viviam nas atuais Noruega e Dinamarca. Seu alvo preferencial era a Irlanda: na primavera, os ventos da costa norueguesa levavam os barcos até lá sem muito esforço. Os saques podiam durar até o outono, quando surgiam os ventos que traziam os nórdicos de volta para casa. Já os vikings do território que hoje corresponde à Suécia costumavam partir para o mar Báltico, onde pilhavam as atuais Polônia, Letônia, Lituânia e Rússia. Quando o objetivo era o comércio, eles iam ainda mais longe: navegando pelos rios Volga e Dnieper, chegaram até Constantinopla, então capital do Império Bizantino. Mas, por ter saqueado a cidade em 860, incendiando igrejas e casas, os vikings eram vistos com desconfiança por lá. Quando vinham comercializar seus produtos, eles tinham que deixar suas armas fora das muralhas de Constantinopla e não podiam entrar em grupos com mais de 50 pessoas.


Em túmulos vikings na Suécia, foram encontradas moedas cunhadas em Bagdá, o que indica que nórdicos percorreram muito chão – e água – para vender seus produtos aos árabes. Grande parte do que se sabe sobre os vikings, aliás, foi descoberto graças a seus túmulos. Os líderes nórdicos eram enterrados com tesouros, armas e objetos pessoais, incluindo os barcos (é por causa desse costume que sabemos tanto sobre as embarcações vikings, preservadas debaixo da terra). Em alguns sepultamentos foram encontrados corpos de mulheres – provavelmente concubinas, assassinadas e enterradas ao lado do amante morto.


América, ano 1000


Mas o que fez os vikings se distanciarem tanto de seus territórios? “Sugerem-se várias motivações para o surgimento repentino dos vikings em meados do ano 800. A superpopulação na terra de origem é vista como um dos fatores principais”, afirma o historiador britânico Mark Harrison no livro The Vikings: Voyagers of Discovery and Plunder (“Os vikings: viajantes das descobertas e pilhagens”, inédito no Brasil). O excedente populacional era agravado pela falta de recursos naturais da Escandinávia. Procurando novas terras, grupos noruegueses e dinamarqueses chegaram a ilhas próximas, como as Faroe. Depois, partiram para locais mais remotos, como a Islândia e a Groenlândia. Foi nessa grande ilha gelada que se estabeleceu Eric, o Vermelho, líder expulso da Escandinávia por assassinato. Seu filho Leif Ericsson, entretanto, não se contentou em ficar por lá e decidiu se aventurar no oceano Atlântico, liderando um grupo de guerreiros.


A recompensa de Ericsson e seus homens foi descobrir a América. Um sítio arqueológico descoberto em L’Anse aux Meadows, na costa leste do Canadá, prova que eles fizeram isso por volta do ano 1000 – segundo os pesquisadores que trabalham no local, o assentamento de Ericsson deu origem à lendária Vinland, a terra das vinhas descrita no folclore viking. Mas os nórdicos não ficaram muito tempo no continente recém-encontrado. Os ataques dos povos locais e a dificuldade de sobrevivência fizeram com que, após três anos, o grupo voltasse para casa.


Na época em que Ericsson retornou ao lar, a fúria expansionista dos vikings começava a entrar em declínio. Uma das últimas grandes batalhas em que eles se envolveram foi na Irlanda, em 1014. Brian Boru, rei irlandês, pretendia unificar suas terras e entrou em conflito com o líder viking Sigtrig Barba de Seda. O conflito deu origem à batalha de Clontarf, nos arredores de Dublin. Havia vikings dos dois lados, e os homens de Boru despacharam os de Sigtrig em direção ao mar. Em 1066, o duque da Normandia, William, conseguiu expulsar os vikings da Danelaw, região que os nórdicos habitaram durante quase dois séculos na Inglaterra. Na Escócia, contudo, muitos duques descendentes de escandinavos permaneceram no poder.


O fim dos ataques vikings coincidiu com o avanço do cristianismo entre eles. Nas ilhas britânicas, os nórdicos que não foram expulsos acabaram se adaptando à cultura e à religião local (na Inglaterra, por exemplo, é raro encontrar túmulos pagãos construídos depois do ano 950). Ao fim do século 10, muitos moradores da própria Escandinávia já eram cristãos. Com a nova religião, o ímpeto por conquistas se dissipou. Mas jamais foi esquecido, permanecendo em lendas contadas até hoje nos locais onde houve colônias vikings.

A Expansão Viking




O mapa mostra as colônias vikings nos séculos VIII (vinho),
IX (vermelho), X (laranja) e XI (amarelo); as áreas em
verde são as que sofriam constantes incursões dos vikings.
 

Eles não grunhiam, não eram estúpidos e também não lutavam vestindo elmos adornados com chifres de boi, como o cinema ou a literatura costuma retratar. Os vikings, povo nórdico que se expandiu a partir do século VIII, foram grandes conquistadores e travaram batalhas memoráveis contra celtas, frísios e até mesmo com índios na América do Norte, mas passam longe dos estereótipos atribuídos a eles pelo senso comum. Esses navegadores escandinavos, que carregavam uma cultura guerreira próxima à de Beowulf, conseguiram desenvolver uma sociedade bastante evoluída para a época, com cidades prósperas, um sistema de leis eficiente e técnicas avançadas para a construção de barcos - ou seja, não eram bárbaros e muito menos subdesenvolvidos.

Eles chegaram ao território anglo-saxão no fim do século VIII e tiveram uma importância fundamental para a formação daquele povo. “Os primeiros vikings chegaram ao oeste da Europa através de invasões nos anos de 790, montando assentamentos na Escócia, Irlanda e Inglaterra. Eles também se assentaram na Islândia durante o fim do século IX, e na Groenlândia somente no século seguinte”, conta o historiador James Graham-Campbell, da University College London (Inglaterra).


A primeira prova da evolução dos vikings na Idade Média é, sem dúvida, a qualidade militar dos soldados. Eles não lutavam como uma turba desorganizada e arruaceira, como ocorria com muitos povos bárbaros. No campo de batalha, eles agiam como um exército bem treinado e com estratégias predeterminadas para derrotar os adversários. Para conquistar tantas vitórias, esses nórdicos se valiam de técnicas de luta baseadas em espécies de falanges, que serviam para dividir as defesas inimigas: uma fórmula usada muito tempo antes por gregos e romanos.


De acordo com o arqueólogo Stephen Harding, professor da University of Nottingham (Inglaterra), os guerreiros vikings normalmente usavam lanças e escudos circulares de madeira no campo de batalha e, os mais ricos, vestiam-se com cotas de malha e empunhavam espadas longas. “Nas batalhas, eles se organizavam em linhas e formavam uma ‘parede de escudos’, como a maioria de seus oponentes. Eles tentavam quebrar as defesas inimigas enviando ‘esquadrões de sangue’ munidos com machados de batalha”, detalha.


A coragem dos nórdicos já era conhecida pelos povos da região há muito tempo e, assim como o herói Beowulf, os navegadores vikings também se lançavam ao mar rumo ao desconhecido para enfrentar perigos mortais. Para isso, tiveram que aprender a construir naus bastante fortificadas, já que o clima extremamente frio e as águas turbulentas dos mares do norte poderiam facilmente afundar barcos pouco resistentes. Sendo assim, aperfeiçoaram as técnicas de construção dos drakkar, as grandes embarcações utilizadas para navegações próximas à costa ou em rios, e os knor, barcos para jornadas mais longas, conhecidos por alguns inimigos como ‘predadores dos mares’.


Outra semelhança com o período pré-viking é a própria religião pagã venerada pelos vikings. Até o fim do século X eles também cultuavam deuses como Thor e Odin, mas acabaram sendo finalmente cristianizados no decorrer dos séculos. Porém, até isso ocorrer, acreditavam em uma crença politeísta marcada pela presença de deuses e heróis que os estimulavam a lutar até a morte - mesmo que não houvesse nenhuma chance de vitória. Contudo, Harding lembra que o fato mais instigante em relação a esses conquistadores não envolve guerras, batalhas ou estratégias de combate, mas sim a própria vida social. Algo pouco conhecido, explica, refere-se aos instrumentos jurídicos utilizados pelos escandinavos da Idade Média. “Eles eram excelentes juristas e foram responsáveis pela introdução da palavra ‘lei’ (law, em inglês) na língua inglesa”, lembra o arqueólogo. “Apesar de terem uma reputação de guerreiros, eles eram, na realidade, pessoas muito civilizadas”.


Contudo, o professor da University of Nottingham admite que os vikings ganharam uma fama histórica negativa por conta de seus métodos violentos de conquistar o território dos oponentes: eles invadiam os territórios inimigos causando pilhagens, cometendo estupros e raptando os inimigos vencidos, inclusive sacerdotes e monges capturados em monastérios localizados na costa da Ilhas Britânicas. Graham-Campbell ressalta ainda que o principal objetivo dos invasores nórdicos era roubar riquezas, embora muitos acabassem optando por ficar nas terras recém-tomadas. “Para os invasores, o objetivo principal era levar para casa o resultado de seus saques, mas para aqueles que não tinham terras, por serem muito jovens ou mesmo exilados, encontrar um território para construir uma boa fazenda obviamente passou a ser uma boa idéia”, conta. Isso, sem dúvidas, acirrou ainda mais as hostilidades entre escandinavos e anglo-saxões.

Haroldo II x Harald Hardrada

Em 1066, a disputa pelo trono da Inglaterra encerrou a dinastia anglo-saxônica na ilha, pôs fim à era viking e levou os normandos ao poder




Representação da Batalha de Stamford Bridge.
 

Em todos os reinados, as sucessões ao trono sempre foram terreno fértil para complôs e disputas declaradas. Era o momento em que velhos ressentimentos afloravam entre aqueles que se viam como legítimos herdeiros da coroa. Pouquíssimos reis subiram ao trono como unanimidades ou sem luta. Laços de sangue nada significavam. A Inglaterra do século 11 viveu essa rotina com toques ainda mais surpreendentes.

Em 1066, um dos aspirantes ao trono não vinha sequer de uma linhagem real. Harold Godwinson era filho do conde de Wessex, a família mais poderosa da época. Ambicioso, sua proximidade com o trono se dava por um parentesco casual – sua irmã era casada com o rei Eduardo III, o Confessor – e por seu livre trânsito junto ao monarca, que não tinha herdeiros.


O outro postulante à coroa, ainda que nobre, era um forasteiro. E bárbaro. Harald Hardrada, rei norueguês, era um calejado guerreiro viking que se considerava credor de um acordo firmado entre seu sobrinho e um soberano dinamarquês que reinara na Inglaterra durante uma “dinastia escandinava” (de 1013 a 1042). Havia ainda um terceiro concorrente, do outro lado do Canal da Mancha, que teria papel decisivo nessa disputa, o normando William (ou Guilherme, na forma latina).


O contexto histórico


O vácuo de poder que atraía tantos pretendentes ao trono inglês era resultado do atrito entre anglo-saxões, vikings e normandos (estes, descendentes dos próprios escandinavos). Foi a partir do século 5°, com o fim do poder romano, que povos germânicos cruzaram o mar para povoar a antiga Britânia. Seriam as forças criadoras do reino da Inglaterra e de uma dinastia própria.


Em meados do século 8°, porém, bárbaros – os vikings – passaram a invadir a ilha para pilhar e forçar o comércio. Combates entre anglo-saxões e vikings tornaram-se freqüentes. Contudo, nos séculos 9° e 10°, as incursões vikings à Europa e às Ilhas Britânicas deram origem a colônias. Tomado pelos dinamarqueses, todo o nordeste inglês ficou conhecido como Danelaw.


No fim do século 10°, os ingleses ao sul eram obrigados a pagar uma taxa para não serem atacados, o danegeld (dinheiro dos dinamarqueses). O rei que aceitou o tributo, Ethelred II, ficou conhecido como o Despreparado e seria deposto em 1013 pelo rei da Dinamarca, Swein, com aprovação inglesa. Swein morreria em 1014 e Ethelred, exilado na Normandia, retornaria apenas para ser apeado do trono pelo filho de Swein, Canuto, em 1016.


Foi a quebra da longa linha sucessória anglo-saxônica. Canuto, porém, soube se adaptar. Como quase todos os vikings à época, era cristão e casou-se com a viúva de Ethelred, Emma, uma princesa normanda. Nos anos seguintes, graças a suas conquistas no norte, tornou-se também rei da Noruega, sendo, então, monarca de três países. Quando morreu, em 1035, levava a alcunha de “o Grande”. Seu império, porém, ruiu. Seus dois filhos, Haroldo Pé-de-Lebre e Hardacanuto, o sucederam brevemente (de 1037 a 1042). Nesse período, a Dinamarca foi tomada pelo novo rei norueguês, Magnus, e a antiga linhagem anglo-saxônica reclamou o trono inglês. Em 1042, o filho de Ethelred e Emma, Eduardo III, o Confessor, que havia passado quase toda a vida exilado na Normandia, assumiu a coroa inglesa, retomando a antiga dinastia da ilha.


O rei está morto


A morte de Eduardo III, em 5 de janeiro de 1066, levou o Witan, um conselho de sábios, a proclamar Harold Godwinson soberano inglês, como Haroldo II. Além do poder que sua família havia conquistado durante o reinado de Canuto, acumulando condados sob seu domínio, Haroldo era a figura mais expressiva do reino. Em 1063, junto com seu irmão Tostig, havia debelado bravamente a invasão do rei de Gales, Gruffydd.


Mas isso não impressionava seu concorrente viking. Em 1030, com apenas 15 anos, Hardrada sobrevivera à batalha de Stiklestad, na qual seu meio-irmão, o herói nórdico Santo Olaf, morreu tentando reaver seu trono. No exílio, Hardrada lutou como soldado na Europa Oriental e foi mercenário na guarda varegue do império bizantino. Ali, sua liderança e fúria em combate lhe trariam fama e fortuna.


Em 1045, ele retornou à Noruega, onde dividiu o trono com seu sobrinho Magnus, que morreria – convenientemente – dois anos depois. Com a morte de Eduardo III, Hardrada voltou seus olhos para o trono inglês. Ele se via como herdeiro do acordo de paz firmado décadas antes entre Hardacanuto (rei da Inglaterra entre 1040 e 1042) e Magnus, que previa, caso morressem sem filhos, que um assumiria o reino do outro.


Em setembro de 1066, Hardrada partiu com 300 embarcações e 7,5 mil homens para tomar o trono inglês. Ele contava ainda com a ajuda de Tostig, o irmão de Haroldo II. Após desembarcar no norte da Inglaterra, o rei norueguês tomou a cidade de York, que nutria simpatia pelos nórdicos. Apesar da surpresa do ataque, Haroldo II estava preparado.


Batalhas pelo trono


Sua guarda, os housecarls, era uma tropa altamente treinada. Cerca de 7 mil soldados marcharam de Londres para o norte, quase 400 quilômetros em quatro dias, e surpreenderam seus oponentes a leste de York, na Ponte Stamford. Ali, em 25 de setembro, lutaram ao estilo viking: descargas de flechas e lanças e, então, combate corpo a corpo, com espadas, lanças e achas.


Apesar da ferocidade de Hardrada com seu machado de combate, ele e Tostig foram mortos e os invasores, destroçados (20 anos após essa batalha, os nórdicos encerrariam de vez suas invasões na Europa). Haroldo II, no entanto, não pôde descansar. William, o duque normando que também reclamava o trono inglês, desembarcara em 28 de setembro, no sul da Inglaterra, em Pevensey, com 12 mil soldados.


Esse ataque era esperado por Haroldo. Segundo historiadores, Eduardo III prometera a coroa a seu primo William, caso morresse sem herdeiros. Por razões desconhecidas, em 1064, Haroldo teria viajado até a Normandia, onde fez o juramento de apoiar o duque na demanda pelo trono inglês. Para William, a coroação de Haroldo foi também uma traição a votos sagrados.


Fatigados por uma árdua batalha e duas longas marchas, os ingleses confrontaram William, em Hastings, a 14 de outubro de 1066. Caíram frente às táticas normandas de cavalaria. Ao final do dia, Haroldo II estava morto. A lenda diz que foi alvejado no olho por uma flecha (o tipo de morte decretado a quem fazia falso juramento). No Natal de 1066, William – o Conquistador – tornava-se o primeiro rei da dinastia normanda da Inglaterra.


Os guerreiros vikings


Os povos nórdicos do século 11 já não eram os pagãos que 200 anos antes haviam espalhado terror pela Europa. Mas histórias como a destruição do mosteiro de Lindisfarne, no nordeste da Inglaterra, em 793, quando noruegueses mataram os monges e pilharam o local, ainda ecoavam em várias regiões. A palavra escandinava que designava esses guerreiros, viking (pirata), explicava sua razão de ser.


A partir do século 8°, após constantes batalhas em suas terras de origem (Dinamarca, Noruega e Suécia), eles buscaram territórios e rotas de comércio. Seus conhecimentos de navegação e seus barcos longos de quilha profunda possibilitaram navegar em mar aberto e rios. Assim saquearam e colonizaram partes das Ilhas Britânicas e da França (onde eram chamados de normanni, homens do norte), dando origem à Normandia.


Foram também à Islândia e à Groenlândia, cruzaram o Atlântico, chegando à América. Aventuraram-se pelo Mediterrâneo e Mar Báltico. Na Europa Oriental, tomaram Kiev, onde foram chamados de rus (daí, russo), descendo pelos rios até ter contato com o império bizantino. Com as colonizações, os vikings converteram-se ao Cristianismo e sua sanha exploradora arrefeceu. No fim do século 11, seu período de grandes invasões terminara.

A Muralha Dinamarquesa

O Danevirke era uma muralha de terra que separava a Jutlândia
do Império Franco. Sua finalidade primordial era proteger a
cidade de Hedeby, que era o mais importante centro de comércio
da Dinamarca






Danevirke na "Carta marina" do século 16.


Construção da muralha


Danevirke é uma muralha defensiva dinamarquesa (hoje em Schleswig-Holstein, território da Alemanha) que foi construída entre o limite ocidental da Jutlândia e Schleswig, em Slien, no Mar Báltico, perto do centro viking de comércio de Hedeby.


Segundo fontes escritas, a construção de Danevirke foi iniciada com o rei dinamarquês Gudfred em 808. Foi construída com o objetivo de proteger o reino dinamarquês na península da Jutlândia de ataques francos.





As várias fases de construção de Danevirke.
Os francos haviam conquistado a Frísia e a Saxônia ao longo dos últimos 100 anos. Temendo uma invasão dos francos, o rei dinamarquês Gudfred ordenou que a fronteira de seu reino com o dos francos fosse fortificada.


Durante a Idade Média, a estrutura foi reforçada com paliçadas e paredes e foi usada pelos sucessivos reis dinamarqueses como ponto de partida de incursões militares nas Cruzadas Bálticas, particularmente as incursões dinamarquesas contra os eslavos.


Posto alfandegário, pousada e bordel





Runa de Hedeby. Foi encontrada em Sønderjylland, Norte da
Alemanha. Sønderjylland atualmente pertence à Alemanha,
mas durante a idade média era parte do Reino da Dinamarca.
Pesquisadores descobriram o único portão de travessia do Danevirke, um portal com cinco metros de largura. De acordo com escritos antigos, “carroças e homens a cavalo” costumavam passar pelo portão, chamado de “Wiglesdor”. Perto dele havia um posto alfandegário e uma pousada que incluía um bordel.


Há um século os arqueólogos sonhavam em encontrar este portão entre a Dinamarca e o Império Franco. Especialistas conheciam a localização aproximada, mas os arqueólogos não podiam escavar: havia uma antiga taverna no caminho. “O Café Truberg colocou freios em tudo”, diz Claus von Carnap-Bornheim, chefe do departamento de arqueologia de Schleswig Holstein.





Arqueólogos fazendo escavações no Danevirke.
As coisas só começaram a ir adiante quando o café faliu e foi comprado em 2008 com a ajuda da AP Møller-Fonds, um fundo que pertence a Arnold Maersk, dinamarquês de 97 anos que é dono da maior frota de contêineres do mundo. A companhia de energia E.on Hanse, subsidiária da E.on e responsável pelo norte da Alemanha, pagou para que o prédio fosse demolido e os arqueólogos puderam avançar.


Comércio por terra


Seus longos barcos tecnologicamente sofisticados, permitiram aos dinamarqueses desenvolverem uma rede formidável de rotas de comércio. Eles viajavam pelos rios da Rússia até Bizâncio e navegavam o Atlântico Norte até a longínqua Islândia, Groenlândia e até o norte da América do Norte.





Mapa mostrando o Danevirke, baía Schlei, e rios Treene e Eider.
Mas havia um calcanhar de Aquiles nesse império comercial, e este se localizava em Hedeby. Para que os bens do leste fossem enviados para o oeste, eles precisavam cruzar a estreita faixa de terra na base da atual Dinamarca. Os comerciantes entravam no território pela baía de Schlei, até chegar a Hedeby, onde suas mercadorias eram descarregadas e enviadas por terra até o Rio Treene, a 18 quilômetros dali. Só então os bens podiam ser carregados em barcos e enviados pelo Mar do Norte.


Durante toda a duração dessa curta viagem por terra, os bens valiosos – incluindo ouro de Bizâncio, peles de urso de Novgorod e até estátuas de Buda da Índia – ficavam expostos a ataques. Foi para proteger essa importante artéria comercial que os arqueólogos hoje acreditam que foi construída a fortaleza de terra, pedras e tijolos. O Danevirke, em outras palavras, não era nada além de um escudo protetor para o comércio.

Termos gerais da civilizãção Viking

3 – Termos Gerais da Civilização Viking:


Esta parte da obra remete-se a explicar melhor os conceitos básicos dos povos Norueguês e Dano, conhecidos como Vikings. Veremos aqui como era sua forma de governo, sua religião, seus hábitos, suas características populacionais e até seu desenvolvimento sócio-econômico.


3.1 – Miscelânea de Reinos:


Como já havia mencionado, no início do processo de ocupação da Jutlândia pelos Danos, provavelmente cada povoado formava um Reino distinto, sendo portanto praticamente impossível precisar quantos Reinos haviam de fato na Jutlândia e ilhas Bálticas (no mais das vezes não me referirei mais aos Danos da Suécia, nem tão pouco aos Suecos), é certo que havia dezenas deles, todos muito atrasados, com suas populações vivendo num sistema político Monárquico, semelhante a uma Monarquia Parlamentarista, o qual explicarei mais adiante.
Típico fiorde da Noruega e Jutlândia. Já na Noruega, existiam três grandes regiões: os fiordes Ocidentais, mais ao norte; Bergen, no oeste e sudoeste; e o fiorde Vik, no sudeste e sul. A situação dos fiordes Ocidentais e do fiorde Vik era bem semelhante a situação da Jutlândia e das ilhas Bálticas, apenas na região de Bergen parece ter havido uma centralização mais precoce dos povoados locais sob o domínio da cidade de Bergen.
No início do século VI, no fiorde Vik, foi fundada a cidade de Oslo (atual capital da Noruega). Era uma cidadezinha agrícola, mais próxima de um vilarejo feudal do que de um burgos. No entanto, seu povo começou a exercer certa influência sobre os povos vizinhos e gradualmente os foi submetendo ao seu domínio, o que provocou no final do século VII e começo do VIII, a centralização da região sob o domínio de Oslo. Tanto que o fiorde Vik também é chamado de Oslo.
Porém, o frio intenso e a conseqüente semi-esterilidade do solo, além da superpopulação (a população Norueguesa chegava a cerca de dois milhões de habitantes no início da Era Viking) fizeram com que os povos do fiorde Vik quisessem sair de lá, rumo a lugares mais quentes e de solo mais fértil.
A palavra Viking propriamente dita quer dizer: o habitante do fiorde Vik. Portanto, se analisarmos sob esta perspectiva, apenas estes seriam Vikings. Porém como os reides eram realizados por Noruegueses (inicialmente do fiorde Vik, mas depois também das outras regiões da Noruega) e Danos (posteriormente chamados Dinamarqueses), então muitos tentam justificar a palavra Viking de outras formas, como por exemplo a palavra Islandesa vik, que quer dizer baía, ou regato, sendo assim, um Viking é alguém que vive numa baía ou regato. Há também a palavra anglo-saxônica wic, que quer dizer acampamento, sendo assim, um Viking seria alguém que acampa de tocaia.
De qualquer forma, os Vikings não adotavam esta denominação, eles se chamavam pelo seu respectivo lugar de origem (podia ser o fiorde Vik, a Dinamarca, ou até mesmo uma simples aldeia). Nem mesmo os povos da época os chamavam de Vikings. Os povos que lhes eram contemporâneos lhes chamavam de Nórdicos.


3.2 – Política:


Os povos conhecidos como Vikings manifestavam uma forma política semelhante. Não se sabe se esta forma de governo era própria de todos os Escandinavos e depois se difundiu também para os Danos, ou se ela era própria da cidade de Oslo e difundiu-se segundo sua expansão. Porém, a primeira hipótese é mais aceitável, visto que Oslo não chegou a formar um verdadeiro Império, pois não dominou a Escandinávia.
A característica mais marcante dos povos Vikings no que diz respeito a sua política é que todos eles adotavam a Monarquia, mas na grande maioria dos casos, uma Monarquia em moldes atuais, ou seja, semelhante às Monarquias Parlamentares de hoje em dia.
Os Reis tinham poder absoluto no que dizia respeito às guerras, regiões dominadas e tudo que tivesse ligação com os domínios de seu Reino. Porém, ele não podia criar leis, ou mesmo julgar pessoas, estas tarefas eram delegadas às Althings, ou simplesmente Things. As Althings eram uma reunião de todos os homens (mulheres não participavam) livres (escravos não participavam) e adultos (crianças não participavam) do Reino. Em cada localidade do Reino existia uma Althing, o que significa que mesmo no caso de domínios pequenos, as leis e o sistema judicial poderia variar de uma cidade ou região, para outra, dentro de um mesmo Reino. O Rei só poderia tratar da economia e de assuntos militares das regiões dominadas.
Na realidade, as sociedades Vikings tinham um sistema político semelhante às Democracias Gregas, pois salvo a exceção da existência de um Rei, cada região se autogovernava através de seus cidadãos (como na Grécia antiga, o termo cidadão não tem o mesmo significado que hoje, pois nem todos os habitantes eram cidadãos).
A sucessão Real era sempre conturbada, os homens mais poderosos do Reino travavam guerras de influência e, às vezes de fato, para ver quem iria suceder o Rei morto, já que a sucessão hereditária só foi instituída no século XIV. Entretanto, o fato de os poderosos escolherem o novo Rei não implicava, como veremos a seguir, na exclusão dos filhos do Rei da sua linha de sucessão. Pelo contrário, muitas vezes o filho do Rei morto herdava seu trono, ou por se acreditar que ele teria os mesmos valores admirados no pai, ou então porque este (o Rei) deixara homens de confiança que assegurariam ao filho o trono após sua morte.
Essa situação era mais comum quando o Rei morria em campo de batalha, pois devido a necessidade de se coroar outro Rei rapidamente (para não desorganizar as tropas), escolhia-se o filho do Rei como seu sucessor.


3.3 – As sociedades Vikings:


Os povos Vikings, assim como tinham uma mesma organização política, também compartilhavam uma mesma composição sociocultural.
A língua falada pelos Vikings era a mesma, seu alfabeto também era o mesmo: o Alfabeto Rúnico.
As sociedades estavam divididas, de um modo geral, da seguinte maneira: O Rei estava no ápice da Pirâmide; abaixo dele estavam os karls, homens ricos e grandes proprietários de terras (os karls não eram nobres, pois nas sociedades Vikings não havia nobres); abaixo dos karls havia os jarls, ou seja, o povo, livres, mas sem posses ou com poucas propriedades, geralmente pequenos comerciantes ou lavradores. Os jarls compunham o grosso dos exércitos Vikings e tinham participação nas Althings; abaixo dos jarls, havia os thralls, escravos. Eles geralmente eram prisioneiros de batalhas, mas podiam ser (dependendo da decisão da Althing da região) escravos por dívidas ou por crimes, seus proprietários tinham direito de vida e morte sobre eles.


Outro fiorde típico da Noruega e Jutlândia. A maior parte dos povoados Vikings eram fazendas pequenas, com entre cinqüenta e quinhentos habitantes. Nessas fazendas, a vida era comunitária, ou seja, todos deviam se ajudar mutuamente. O trabalho era dividido de acordo com as especialidades de cada um. Uns eram ferreiros, outros pescadores (os povoados sempre se desenvolviam nas proximidades de rios, lagos ou na borda de um fiorde), outros cuidavam dos rebanhos, uns eram artesãos, outros eram soldados profissionais, mas a maioria era agricultora. As semeaduras ocorriam tão logo a primavera começava, pois os grãos precisavam ser colhidos no final do verão para que pudessem ser armazenados para o outono e inverno. Durante o inverno, as principais fontes de alimentos eram a carne de gado e das caças que eles obtinham. No verão o gado era transportado para as montanhas para pastar longe das plantações.
Nas fazendas, as pessoas moravam geralmente em grandes casarões comunitários. Geralmente esses casarões eram habitados pelas famílias. Por exemplo: três irmãos, com suas respectivas esposas, filhos e netos.
As mulheres tinham a função de ajudar os maridos, além de cozinharem e fazerem as roupas para toda a família. Quando os maridos se ausentavam caçando ou guerreando (não só os soldados profissionais lutavam nas guerras, o grosso dos contingentes era de homens do povo), as mulheres se tornavam as chefes do lar, não só defendendo-o contra invasores e bandidos, mas também comerciando com os mercadores.
As sociedades Vikings eram monogâmicas e o núcleo familiar era como o das sociedades Cristãs, com o homem ocupando o lugar de chefe da casa, tendo inclusive um assento diferenciado (aonde somente ele podia sentar).


Reconstruções de casas da época Viking. O telhado era recoberto de turfa (tipo de grama) para proteger os moradores contra o frio. Elas eram compostas de um único cômodo onde todos dormiam, comiam, as mulheres costuravam... Havia uma lareira no centro do cômodo, cuja saída era no meio do telhado, como não havia chaminé, a casa devia ser enfumaçada e os incêndios freqüentes. As campanhas militares eram geralmente no inverno, pois assim os homens do povo podiam integrar os exércitos sem terem prejuízos maiores, pois teriam feito as colheitas em suas fazendas. A arquitetura variava de acordo com a região ocupada, ou seja, dependendo do frio e dos recursos naturais disponíveis as casas e outras construções eram feitas com um ou outro tipo de madeira. Aliás, a madeira era a principal matéria prima para as construções Vikings (o que dificultou as chances de achados arqueológicos, pois a madeira se decompõe), por ser extremamente abundante, principalmente na Noruega, mas também nas regiões colonizadas posteriormente, como Islândia, Groenlândia e ilhas Britânicas.


Porém, nem só em fazendas viviam os Vikings. Existiam também grandes cidades em seus domínios, e eles fundaram outras também. As principais cidades da Noruega e Dinamarca na Era Viking eram: Oslo, Kaupang, Gokstad, Bergen e Trondheim, na Noruega; e Jelling e Hedeby, na Dinamarca. Estas cidade eram na maioria das vezes localizadas ao redor de fiordes e protegidas com altas e largas muralhas de terra batida. Nelas as casas eram bem menores, morando apenas o núcleo familiar em si (homem, mulher e filhos).
As obrigações eram semelhantes, mas as cidades não dependiam da agricultura local para sobreviverem, elas podiam fazer isso através do comércio que era a sua principal fonte de lucros.




Talvez a mais importante cidade Viking tenha sido Hedeby, na Dinamarca. O comércio na região era tão intenso que chegava a atrair até mesmo os Árabes da Espanha. Os Vikings vendiam e compravam de tudo, mas um de seus principais produtos de venda eram os escravos, no mais das vezes prisioneiros feitos em reides às ilhas Britânicas. Sabe-se que para um Viking, o dia do nascimento era muito importante, sendo nele definido o nome que o bebê teria. O nome da pessoa, segundo a crença, determinava seu caráter. Representação da cidade e do mercado de Hedeby, com suas muralhas em terra e mar
Sabe-se que para um Viking, o dia do nascimento era muito importante, sendo nele definido o nome que o bebê teria. O nome da pessoa, segundo a crença, determinava seu caráter.
Os Vikings também se preocupavam com a educação de seus filhos. Geralmente, nas fazendas um homem velho reunia as crianças para contar a História dos antepassados, explicar o funcionamento das Althings, dizer que devem louvar o Rei e os Deuses, além de iniciá-las na Religião e, algumas vezes, no conhecimento das Runas. Nas cidades não se sabe como era realizada a educação das crianças.


Alfabeto Rúnico Original
Os verdadeiros elmos de guerreiros Vikings eram cônicos e sem chifres. Sempre que imaginamos os Vikings, lembramos de homens bárbaros, muito maus, trajando roupas peludas e elmos com chifres. Pois bem, esta visão está no mínimo equivocada. Comecemos por desmistificar os elmos com chifres ou asas. Muitos dizem que os Vikings os usavam pois tinham medo de que o céu lhes viesse a cair nas cabeças. Na realidade, os Vikings nunca utilizaram tais elmos, eles não passam de uma invenção artística das óperas do século XIX, que visavam resgatar a imagem dos Vikings, sem saber ao certo com eles eram. Os verdadeiros capacetes Vikings eram cônicos e sem chifres, como o da foto. Quanto às roupas peludas, é certo que no seu cotidiano eles realmente utilizavam roupas bem grossas, devido ao frio das regiões que habitavam, mas apenas uma minoria dos guerreiros as utilizavam, nas batalhas, pois preferiam (por razões óbvias) as malhas de aço e ferro, uma vez que estas protegiam-nos dos golpes.
Já o fato de serem maus e bárbaros é de fácil explicação. Os primeiros ataques Vikings foram reides a mosteiros na costas e ilhas Britânicas (no final do século VIII), mesmo depois, os Vikings continuaram gostando muito de realizar ataques a mosteiros devido ao fato de estes não serem tão bem protegidos quanto as cidades e guardarem tesouros da Igreja Católica, além de vinho, bebida muito apreciada por habitantes de regiões frias. Esse costume de atacar mosteiros fez com que a Igreja rapidamente condenasse os Vikings e os visse como verdadeiros enviados do inferno. Uma oração comum em finais do século IX dizia o seguinte: “Da fúria dos Nórdicos livrai-nos, ó Senhor”.
Talvez a grande vantagem que os Vikings tenham tido sobre os demais povos da Europa que lhes foram contemporâneos tenha sido sua alta tecnologia de construção naval. Os Noruegueses e Dinamarqueses desenvolveram no início da Idade Média um tipo de embarcação que só veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos Portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus (que na época funcionavam, não eram como as de hoje). As embarcações Vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam muito pouco na água.
Sendo assim, elas podiam navegar com estabilidade tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar. A supremacia das embarcações Vikings não estava somente na estabilidade, mas também na utilização combinada de remos e velas. Os navios geralmente navegavam com o vento através de velas (foram os primeiros navios da História a usarem o vento como principal fonte de movimento), só utilizavam os remos quando não havia vento.
Existiam, como já mencionei, dois tipos de embarcações, a diferença entre elas era que as mercantes e de transporte, as chamadas knorrs, eram maiores e mais largas que as destinadas a guerra, as chamadas drakkars. Uma knorr precisava ser maior do que uma drakkar pelo fato de que transportava produtos, algumas vezes elas levavam até gado, era também nelas que as pessoas comuns se mudavam para colônias recém estabelecidas.
Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas e com velas listradas (ou xadrezes) em misturas de verde, vermelho ou azul com branco. Nas drakkars, cada homem ia sentado em cima de um pacote que continha suas armas e armadura, este pacote servia-lhe de banco, cada um também tinha um remo, e o último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao navio. Quando o navio estava para chegar ao local do ataque, os homens desfaziam seus pacotes e se preparavam para o ataque. Cada drakkar transportava em média quarenta guerreiros, uma knorr transportava muito mais pessoas ainda. Foi graças as drakkars e as knorrs que os Vikings conseguiram colonizaram grande parte das ilhas Britânicas, assaltar a Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a América.


3.4 – Religião e Mitos:


Os Vikings não eram criaturas enviadas pelo demônio, ou mesmo homens sem religião, como pensavam alguns homens da época. Apesar de seu costume (que desagradava em muito a Igreja Católica e que lhes proporcionou tais famas) de saquear mosteiros, os Vikings eram extremamente religiosos e desenvolveram uma religião muito peculiar por ser, além de semelhante às doutrinas Protestantes que lhe foram posteriores por cerca de quinhentos anos, um dos maiores, senão o maior incentivo que os Nórdicos tiveram para realizar sua expansão.
Além de uma religião muito evoluída (no sentido de ser adaptada às necessidades de sua população), os Vikings também possuíam vários mitos, como Anões, Dragões, Duendes, Serpentes Marinhas, Gnomos, Elfos e Sereias. Todos estes mitos, por sinal, hoje em dia povoam os chamados RPGs, que foram a febre dos adolescentes da década de 90. O interessante em se estudar tais mitos é justamente entender como, quando e porque surgiram suas idealizações.
Sendo assim abordarei inicialmente as idealizações da mitologia Viking, passando depois às suas crenças religiosas propriamente ditas.
Os Vikings acreditavam que os homens podiam ser perturbados por Elfos e Duendes, que segundo eles seriam criaturas pequenas e com capacidades de se tornarem invisíveis (ou de se esconderem das pessoas de tal forma que não podiam ser encontradas). Os Duendes, segundo as crenças Vikings eram sabotadores natos, gostavam de roubar coisas e escondê-las dos homens. Podiam até provocar naufrágios caso sabotassem um navio. Já os Elfos eram muito parecidos com os humanos, só que bem menores, com orelhas puxadas e poderes mágicos. Alguns rituais de bruxaria invocavam estas entidades para pedir ajuda ou prejudicar outras pessoas (os Elfos são um pouco semelhantes ao que representa o Saci Pererê no folclore Brasileiro do interior).
Os Gnomos eram parecidos com os Duendes, porém, com características boas. Eles protegiam os animais e as florestas, além de guardarem o pote de ouro de Asgard (o céu dos Vikings).
Mitos como os das Serpentes Marinhas e Sereias são de fácil compreensão, à medida que os Vikings (principalmente os Noruegueses) adentravam no oceano, o medo dos naufrágios se tornava mais presente, sendo assim a crença em criaturas que os proporcionavam era lógica. As Sereias eram temidas pelos navegadores, pois segundo a lenda, elas ficariam sentadas sobre os rochedos próximos do litoral e com seu canto hipnótico atrairiam os homens para lá, fazendo o navio bater nas rochas e afundar, matando a todos, além disso, elas também podiam aparecer no meio do mar, onde com seu canto podiam fazer os homens se atirarem na água para pegá-las, morrendo afogados. No entanto, as Sereias não são uma criação da Mitologia Viking, uma vez que já existem lendas de Sereias em contos antigos como a Odisséia, do Grego Homero. Já as Serpentes Marinhas (comuns em representações artísticas de mapas da Idade Média) eram criaturas que habitavam as água profundas, algumas vezes elas podiam querer se alimentar dos homens, sendo assim subiam à superfície e tentavam virar as embarcações para depois devorar os tripulantes. Justamente para se protegerem das Serpentes Marinhas e de outros perigos imaginários, os Vikings utilizavam na proa de seus barcos cabeças de Dragão, pois assim, estariam protegidos, uma vez que acreditavam que o Dragão era o animal mais poderoso e, portanto, mais temido do mundo.


A crença na existência de Dragões, no entanto, não é de origem Viking. Ela remonta a um passado muito mais remoto, e teria surgido na China, cerca de cinco mil anos antes de Cristo, quando os Chineses encontravam esqueletos de dinossauros e tentavam explicar de onde teriam surgido ossadas tão enormes. De um forma desconhecida, esta crença (a dos Dragões) se difundiu pelos séculos e pelas regiões até atingir a Escandinávia. No entanto, os Vikings foram os responsáveis pela instituição do mito dos Dragões na Europa. Quando vemos filmes sobre histórias de Dragões, ou jogamos RPGs com Dragões, aqueles animais não são os do imaginário Chinês, mas sim os do imaginário Viking. Dragão Vermelho de jogos de RPG. Sua figura afastava os perigos.
Por fim, não podemos nos esquecer dos Anões. Se pensarmos novamente nos jogos de RPG, lembraremos que os Anões nesses jogos são sempre representados com a imagem que temos dos Vikings (imagem que, como já expliquei, é falsa), ou seja, utilizam elmos com chifres, botas e roupas peludas e sua arma preferida é um machado (o machado era realmente a principal arma Viking, mas o machado de mão, não o machado de batalha que é muito maior e que necessita da utilização das duas mãos em sua operação, não usavam este machado, pois gostavam de usar escudos), a imagem dos Anões de RPGs também pode ser a de outros povos Medievais, como Árabes e até Cristãos.Pois bem, não é que na Idade Média não existissem as pessoas com baixa estatura, que hoje são conhecidas como anões, mas os Anões mitológicos são criação da Mitologia Viking. Os Nórdicos acreditavam que esses seres eram imortais e viviam embaixo da terra, eles eram mineiros, e apesar de desprezados pelos Deuses, sempre que podiam, ajudavam os homens. Anões de RPGs. Figuras inspiradas em lendas Vikings e formas inspiradas em povos medievais.
Mas falemos agora sobre a Religião Viking propriamente dita. Ela era uma seita complexa, com um panteão (conjunto de deuses) muito semelhante ao da Mitologia Grega (talvez inspirado nela), o comportamento dos Deuses em suas interações com os homens também eram muito semelhante ao da Mitologia Grega, porém, a motivação social desta religião, diferentemente da Grega, não era apenas explicar fenômenos e reações inexplicáveis, mas também, e principalmente, estimular o povo que a adota a melhorar de vida; tal qual as doutrinas Protestantes do século XVI.
A Religião Viking se chamava Ásatrú, ou Vanatrú. Não havia nela uma explicação própria para a criação do mundo, como na maioria das religiões, bem como, diferentemente da maioria das religiões, o culto aos Deuses não era realizado em templos, pois os Vikings não os construíam. Os cultos eram realizados em locais onde as pessoas se sentiam em total sintonia com a natureza, ou seja, normalmente próximo a cachoeiras, lagos, florestas ou até na beira do mar; desde que o lugar fosse afastado da civilização.
O Ásatrú é baseado na renovação (digo é, pois ainda hoje existem seguidores dessa religião), ou seja, num passado remoto teriam existido outros deuses que não os atuais, que numa guerra foram vencidos e destruídos pelos atuais que ocuparam seu lugar. Porém, os próprios deuses atuais também virão a ser destruídos numa guerra e, portanto, substituídos por outros deuses num futuro distante. Essa guerra entre os deuses é conhecida como Ragnarök.
No Ragnarök, todos os deuses velhos morrerão e junto com eles, também a humanidade, serão então os deuses velhos substituídos por novos e a humanidade recomeçará do zero. Esse mito é uma clara alusão ao Apocalipse da Bíblia, onde todos serão julgados, os bons serão salvos e os maus punidos, no fim do mundo.
Os Vikings acreditavam que o mundo, bem como o céu (lugar onde os deuses moravam), chamado de Asgard existia não devido aos deuses, mas sim a uma árvore mágica chamada Yggdrasill. Esta árvore teria as raízes tão profundas que apenas as criaturas hostis (rejeitadas pelos deuses (como os Anões)) viviam à sua volta; ao redor do caule de Yggdrasill estava o mundo dos homens, ou seja, o nosso mundo, chamado de Midgard; e acima das folhas mais altas localizava-se Asgard.
Para os Nórdicos também existia uma alma, que eles chamavam Filgia. A Filgia só se separava do corpo em duas ocasiões: na morte e ao dormir. Em ambas as ocasiões, a alma ia “dar um passeio” no Reino dos mortos (que depois explicarei com era) e se encontrava com as pessoas falecidas, sendo assim, os Vikings acreditavam que ao dormirem podiam ter presságios de coisas que estavam por acontecer, sendo os sonhos, por isso, considerados muito importantes.
O ponto mais importante da Ásatrú, no entanto era a doutrina que julgo semelhante à doutrina Protestante. Entendam: a Escandinávia era extremamente fria o ano todo, por isso, a agricultura é muito difícil.


O fenômeno denominado “Sol da Meia-noite”, que ocorre anualmente no norte da Escandinávia.Este fenômeno não ocorre na Dinamarca, por esta se situar mais ao sul, em relação a Noruega. Pois bem, o mundo do mortos estava dividido em duas partes: uma chamada Walhalla, análoga à nossa noção de Paraíso e outra chamada Hel, análoga à nossa noção de Inferno. Walhalla tinha o clima ameno e o solo extremamente fértil, além de o sol brilhar o tempo todo, coisa que não acontece no Círculo Polar Ártico, pois durante boa parte do ano, as pessoas são submetidas a chamada noite eterna, e em outras épocas, o sol nasce à meia-noite. Já Hel (nome que inspirou nos Ingleses a palavra Hell, que em inglês quer dizer Inferno) era gélido, com terras estéreis e noite perpétua, ou seja, um retrato da Escandinávia. Isso (a semelhança de sua terra natal com Hel) incentivava as pessoas a quererem deixá-la, rumo a um lugar mais quente, de terras mais férteis e onde o dia e a noite se eqüivalessem (ver item 4 – O Ser Viking).
Somente essa comparação entre a Escandinávia e o Hel já seria suficiente para incentivar as pessoas a colonizar outras regiões, no entanto, havia um outro motivo mais forte que empurrava as pessoas a isso. Quando realizavam reides a outras regiões, mesmo que não as colonizassem, os Vikings roubavam muitas riquezas e, por tanto, melhoravam de vida. Pois bem, Walhalla estava reservada para os corajosos, ou seja, os que morreram lutando; para os saudáveis, os escolhidos dos deuses; e para os ricos e bem sucedidos. Em contraposição, Hel estava reservado aos doentes, aos medrosos e aos pobres. Por isso, todos lutavam para melhorar de vida, pois assim, ainda que mortos, iriam para o tão sonhado lugar melhor. Representação de um guerreiro Viking
É inevitável que se façam comparações entre as religiões Ásatrú, Luterana e Calvinista. Uma vez que a doutrina Calvinista prevê a salvação pela predestinação, ou seja, os que forem escolhidos pelos deus (ou por Deus) para se tornarem ricos, receberam um sinal divino de que serão salvos, e doutrina Luterana diz que a salvação é dada pela fé, tanto que ela pode ser claramente ilustrada na seguinte frase: “Filha, peca forte. Mas crê mais ainda, e serás salva”. A semelhança é óbvia, uma vez que não importava aos Vikings as boas obras que tivessem deixado na terra, ou mesmo a correção de suas vidas, o que importava era que acreditassem em seus deuses (pois se não acreditassem, não teriam estímulo para lutar), pois se fossem escolhidos por eles para serem bem sucedidos (ganhassem as lutas e, por isso, enriquecessem) seriam salvos, caso contrário, a danação os esperava.
Cabe ,depois de tal comparação, questionar se Lutero e Calvino não conheciam o Ásatrú, pois se o conheciam, podemos então dizer que não passavam de plagiadores de uma doutrina muito mais antiga. Sendo assim, a única coisa que teriam feito na realidade foi adaptá-la à fé Cristã.
Sei que já me alonguei muito no que diz respeito às crenças Vikings, mas, como veremos mais adiante, elas serão importantíssimas para a compreensão do que era ser Viking e além disso, constituem talvez um dos mais importantes legados Vikings aos nossos dias.
Abaixo segue a lista das principais divindades do Ásatrú, especificadas com seus poderes e algumas curiosidades.
Odin: Era o principal Deus Viking. Ele governava Asgard e também Midgard. Vivia montado em seu cavalo negro de oito patas chamado Sleiphir, e seguido por seus dois lobos de estimação: Geri e Freki. Era o Deus da Magia, da Morte e da Guerra, empunhava a lança Gungnir, que nunca erra o alvo. Ele também era o Protetor dos Estadistas (governantes) e dos Poetas. Segundo o imaginário Viking, o principal presente de Odin aos homens foi a sabedoria, representada pelo Alfabeto Rúnico, entretanto, Odin teve que fazer um grande sacrifício para poder criar este alfabeto. Sacrifício este que lhe custou o olho direito. Odin era celebrado na quartas-feiras, e por isso, este dia ficou conhecido como Odinsday, que depois, tornou-se em inglês a Wednesday (quarta-feira). O possível análogo de Odin na mitologia Grega é Zeus, por se tratar do Deus dos deuses.

Vikings na Península Ibérica


Em 840, um número indeterminado de embarcações bordearam a costa galega e asturiana até chegar à actual Torre de Hércules - torre e farol situado na península da cidade da Corunha em Espanha - (o seu grande tamanho deve ter-lhes parecido importante) e saquearam a pequena aldeia situada a seus pés. Ordonho I teve notícias da expedição e convocou o seu exército para fazer frente à incursão, derrotando os vikings e recuperando boa parte da pilhagem. Mandou afundar entre sessenta e setenta dos seus barcos, o que não deve ter sido uma grande vitória como demonstra o facto de que seguiram a sua campanha de saques. Em Lisboa os cronistas falam de uma esquadra composta por 53 baixéis.
No ano 844 outra expedição normanda arrasa a cidade de Gijón e segue a costa atlântica até chegar a Lisboa e atacá-la. Em seguida tomaram Cádiz e subiram de novo pelo Guadalquivir, saqueando minuciosamente Sevilha durante 7 dias, a partir da qual lançaram ataques por terra. No entanto, quando Abderramão II saiu com os seus homens, e após algumas batalhas, os vikings viram que não podiam vencer a força andalusa e fugiram, abandonando Sevilha e deixando muitos para trás, que se renderam às forças do Emir. Destes, os mais afortunados acabaram criando cavalos ou fazendo queijo, os menos com o velho castigo para a pirataria: enforcados.
Durante o reinado de Afonso III das Astúrias, os vikings chegaram a cortar as comunicações navais com o resto de Europa. O historiador e hispanista Richard Fletcher menciona pelo menos duas incursões assinaláveis na Galiza em 844 e 858.
Afonso III estava bastante preocupado pela ameaça dos vikings para estabelecer postos fortificados na costa, como faziam outros reis. — Richard Fletcher
Em 858 os normandos sobem pelo Ebro desde Tortosa, sobem-no até ao Reino de Navarra, deixando atrás as inexpugnáveis cidades de Saragoça e Tudela, seguem depois pelo seu afluente, o rio Aragão até encontrarem o rio Arga, o qual também sobem, chegando até Pamplona que saqueiam, raptando ao rei navarro. Uma expedição similar ataca Orihuela a partir do Segura. Em 859, os vikings chegam de novo a Pamplona e sequestram o novo rei Garcia I Iñíguez.
Como consequência destes ataques, em 859 tentou-se detê-los de novo. Ampliou-se o porto de Sevilha e aumentou-se a frota de vigilância marítima sob os reinados de Abderramão III e Alhakén II. Abderramão II, ante as incursões normandas, constrói os Ribat, fortalezas nas desembocaduras fluviais, entre estas as denominadas hoje em dia São Carlos da Rápita em Tarragona, La Rábida no rio Tinto de Huelva; La Rábita em Granada, entre as desembocaduras do rio Grande e o Guadalfeo, etc.
Em 968 o Bispo Sisnando de Santiago de Compostela foi assassinado e o mosteiro de Curtis saqueado, tendo de se tomar medidas para defender a cidade interior de Lugo. O saque de Tui no século XI deixaria o cargo episcopal da cidade vazio por meio século. A captura e sequestro de reféns para pedir um resgate também foi prática comum: Fletcher menciona o pagamento de Amarelo Mestáliz para garantir a segurança da sua terra e resgatar as suas filhas, capturadas em 1015. O bispo Crescónio de Compostela (1036–66) repeliu ainda outro ataque viking e mandou construir as Torres do Oeste (Catoira) como fortaleza naval para proteger Compostela. A Póvoa de Varzim, no norte de Portugal, foi colonizada pelos vikings. Lisboa também sofreu ataques de importância.
Mais contundente foi o conde Gonçalo Sancho que destruiu toda a frota de Gunrod da Noruega; o conde Sancho capturou e esfaqueou toda a tripulação e seu rei.
Não se sabe com certeza a causa ou causas que terminaram com os ataques vikings. Alguns autores opinam que a aceitação da fé cristã por volta do ano 1000 pela maioria destes, atenuou o seu desejo de atacar a seus correligionários. Também se aponta que as incursões só constituíam uma moda e que terminaram quando já não foram novidade. De qualquer modo os reinos nórdicos desejavam cada vez mais abrir-se ao resto de Europa e comerciar com eles em lugar de os invadir. Como exemplo está o caso do rei castelhano Afonso X de Leão e Castela que casou o seu irmão Fernando com a princesa Cristina da Noruega a 31 de Março de 1252, porque o dito casamento era conveniente tanto para Afonso X como para Haakon IV.

"Vikings mais que um povo, um ideal"

1 – Introdução:

Este é meu segundo trabalho para a revista Klepsidra. No trabalho anterior, realizei uma abordagem bem ampla sobre a História da civilização Inca. Minha área de interesse em História é justamente como surgiram, se desenvolveram, evoluíram e, algumas vezes, se extinguiram as civilizações dos períodos Antigo e Medieval, como os próprios Incas.
Neste trabalho, continuarei a desenvolver minha área de interesse, porém agora escrevendo sobre um outro povo, cujo brilho social, cultural e militar também foi imenso, mas que assim como os Incas (só que de maneira bem diversa) acabou por perder sua cultura própria e, sendo assim, deixou de ser um povo em particular, para se mesclar ao cenário do Ocidente mundial.
Bem como os Incas, os Vikings não foram totalmente exterminados (ainda existem descendentes de Incas por toda a cordilheira dos Andes, e os descendentes dos Vikings são os povos Escandinavos de hoje), mas sua cultura foi aos poucos se perdendo em detrimento da Religião e dos costumes da Europa Cristã.
Pretendo aqui, não apenas mostrar de um ponto meramente descritivo como se desenvolveu o povo Viking, mas sim explicar o fenômeno que suas incursões causaram na Europa, discutir o fato de os verdadeiros descobridores da América terem sido estes navegadores (por volta de 500 anos antes de Colombo) e, por fim, explicar a seguinte afirmação: “Os Escandinavos deixaram de serem Vikings ao se tornarem Cristãos”.
Antes de iniciar meu texto, quero deixar claro que ele não visa ser um trabalho completo como seria o feito por um especialista no tema, mas apenas intenta familiarizar um pouco mais o estudante brasileiro com este tema tão pouco conhecido: Os Vikings. No entanto é bem possível que meu texto seja uma das mais abrangentes e completas obras sobre este povo escrita em Português, uma vez que tive imensa dificuldade em encontrar dados e obras sobre este tema em nossa língua. Inclusive, quando pedi indicações bibliográficas sobre o tema para a professora de Idade Média da USP, ela não só não me indicou com precisão nenhum livro, como também disse que toda a bibliografia disponível sobre o povo estava em Inglês, Francês, Alemão ou outras línguas Européias. Sendo assim, talvez meu trabalho seja mais importante ainda do que foi o dos Incas, uma vez que existem diversas obras sobre aquele povo traduzidas para o Português ou mesmo feitas no Brasil.

2 – Localização Espacial e Contextualização Racial:

Neste trecho do trabalho irei descrever algumas das levas migratórias que se dirigiram para a Europa ao longo dos séculos, dando ênfase ao período final da Antigüidade e inicial da Idade Média.
Acredito que a melhor maneira de explicar um fato histórico é, antes de mais nada, contextualizá-lo geograficamente. Pois bem, neste trecho irei diferenciar a nossa noção atual de Escandinávia daquilo que era a Escandinávia na época do surgimento dos Vikings.

2.1 – A Escandinávia:

A Escandinávia atual é composta por duas penínsulas: a Escandinava e a Jutlândia. Na península Escandinava situam-se a Noruega, a Suécia e a Finlândia, e na península da Jutlândia situa-se a Dinamarca. Portanto, o termo Escandinavo refere-se aos habitantes de um desses quatro países. No entanto, a situação não era a mesma no final da Antigüidade e princípio da Idade Média.
Na realidade, esses quatro países ditos Escandinavos são formados por três povos diferentes (muitos não sabem, mas ao longo da História, centenas de povos diferentes migraram, guerrearam e, às vezes se miscigenaram na Europa, sendo assim, o conceito de Raça pura é um absurdo completo, mesmo em se tratando dos loiríssimos Escandinavos), os Fineses, os Teutões (ou Teutos) e os Escandinavos propriamente ditos. Os Fineses constituíram uma leva migratória provavelmente oriunda do norte da Ásia, que aos poucos foi se aproximando da Escandinávia, até se sedentarizar, no final da Antigüidade, na atual Finlândia e em algumas regiões do norte e nordeste da Suécia.
Os Teutões são uma leva migratória muito mais antiga, desde os mais remotos tempos eles já habitavam a Europa e moveram-se muito pouco até se estabelecerem na Jutlândia, nas ilhas do mar Báltico e no sudoeste da Suécia. Entretanto, os Teutões não são muito conhecidos pois tinham divisões internas entre “raças”. As principais “raças” Teutônicas eram os Saxões, os Anglos, os Frísios, os Jutos (cuja “raça” deu nome à Jutlândia) e os Danos.
Por fim, os Escandinavos também são um povo muito antigo na região, cuja presença remonta talvez aos mais longínquos tempos da Pré-história. Eles se estabeleceram inicialmente no noroeste da Noruega, mas depois se espalharam por toda a Noruega e pela maior parte da Suécia.
No início do século V, os Romanos estavam em franca decadência, e em 410, visando proteger a própria cidade de Roma dos ataques das hordas bárbaras, o Imperador retirou as tropas que guardavam a Britânia (ilha onde atualmente se situam Inglaterra, Escócia e País de Gales). Sendo assim, os habitantes da península da Jutlândia começaram a atacar a Britânia, pois as condições de sobrevivência no lugar eram terríveis (terras estéreis e frio intenso). Foi assim que Anglos, Frísios, Jutos e muitos Saxões transferiram-se para a Britânia, onde sua miscigenação com os Britânicos (nativos da Britânia) deu origem aos Ingleses. Depois dessa leva migratória que perdurou pela primeira metade do século V, a Jutlândia se viu semi abandonada, e foi ocupada pelos Danos (ao norte e centro), que residiam no sul da Suécia e ilhas do Báltico, e pelos Saxões (ao sul).
As comunidades nessa época eram muito divididas e é provável que cada pequeno povoado constituísse um Reino de fato.
O leitor deve estar se perguntando: “Mas por que o autor está me falando sobre todos esses povos?” Bem, a resposta é simples. Acontece que os Danos, foram o único povo Teutão que não migrou para a Britânia, pelo contrário, a migração dos outros deu-lhes mais espaço, pois mesmo os Saxões migraram em grande parte para a Britânia. Sendo assim, os Danos se espalharam e ocuparam a Jutlândia, sem abandonar nem as ilhas do Báltico, nem o sul da Suécia. Isso é importante para delimitar o tema de meu trabalho, pois ao contrário do que muito acham, os Vikings não eram os Noruegueses, os Dinamarqueses e os Suecos, pois os Suecos, juntamente com os Danos que habitavam a Suécia compuseram, na época Viking, o povo Varegue ou Varangiano, não sendo portanto os Suecos, Vikings. Estes se compuseram pelos Escandinavos da Noruega e pelos Danos da Jutlândia e ilhas Bálticas.

Em branco as rotas dos Vikings Noruegueses, rumo ao oceano Atlântico, ilhas Britânicas e Normandia.
Em laranja as rotas dos Vikings Dinamarqueses, rumo ao sul a Inglaterra, Normandia e Mediterrâneo.
Em vermelho as rotas dos Varegues. Eles chegaram a Constantinopla e fundaram o primeiro Reino da Rússia (com capital em Kiev), além de dominarem a Finlândia, mas não eram Vikings.